Redes destacadas 2017 (ALTMEDFIS)


O CYTED contribui para o desenvolvimento de disciplinas académicas que dão resposta às necessidades específicas dos países ibero-americanos; na área da Saúde Humana, a Medicina da Altitude é uma delas. Esta disciplina aborda questões que vão além do desempenho desportivo: mais e mais pessoas, por motivos de lazer ou trabalho, se deslocam para altitudes elevadas, onde experienciam condições de menor disponibilidade de oxigénio. A exploração mineira e a observação astronómica na região dos Andes, por exemplo, atingem altitudes cada vez mais elevadas. A rede CYTED ALTMEDFIS tem focado a sua atenção nas alterações fisiológicas sofridas por pessoas que vivem ou trabalham em altitude e o impacto na sua saúde.
 
A ALTMEDFIS tem-se concentrado em constituir uma rede estável de investigadores e docentes, com o objetivo de consolidar a área de conhecimento sobre medicina e fisiologia de altitude, bem como a formação de profissionais de alto nível nesta área, que tem implicações em atividades tão diversas quanto a exploração mineira, a astronomia, o turismo, defesa e segurança e o controlo de fronteiras.
 
Esta rede lançou as bases para uma futura formação internacional de pós-graduação, incrementando a quantidade e a qualidade da investigação e do ensino em medicina de altitude. Todos os anos, os fundos CYTED têm sido utilizados para financiar estadias de intercâmbio de investigadores entre os laboratórios participantes.

 

A ALTMEDFIS tem organizado vários cursos e workshops de formação avançada, contando com o envolvimento e o empenho de diversos centros académicos latino-americanos. Entre eles, destaca-se a Universidade de Antofagasta (Chile), onde se realizaram anualmente Jornadas de Atualização em Fisiologia e Medicina de Altitude, com a participação de especialistas da rede e de outros países europeus, como Itália, França e Alemanha. Na Universidade Arturo Prat, em Iquique (Chile), realizou-se a primeira reunião de coordenação, em 2013, e ainda o Fórum CYTED "Vida e trabalho em altitude: saúde, desempenho e segurança", em 2017. Além disso, promoveu-se a especialização em Medicina de Altitude, sendo concebido um novo Mestrado Universitário na Universidade de Barcelona, de natureza semipresencial, sobre Medicina em Ambientes Hostis e Catástrofes (link).

A ALTMEDFIS valoriza muito positivamente a criação do Centro de Medicina de Altitude na Universidade de Antofagasta, com o apoio de empresas privadas da região e como resultado da cooperação da Rede, que almeja tornar-se uma referência de investigação em Fisiologia e Medicina de Altitude a nível internacional. Este novo centro apresenta-se ainda como um instrumento para dar continuidade à colaboração dos membros da ALTMEDFIS, graças ao firme compromisso do apoio institucional e ao financiamento económico previsto para os próximos anos.
 
Além de fortalecer o ambiente académico, a rede alcançou níveis importantes de interdisciplinaridade graças à interação com empresas mineiras e empresas de serviços de relacionadas ao trabalho em altitude. Também estabeleceu vínculos com algumas administrações, como a Coldeportes, entidade pertencente ao Sistema Desportivo Nacional da Colômbia. A ALTMEDFIS também auxiliou as autoridades sanitárias da Bolívia, que aprovaram as suas recomendações com respeito à abordagem de patologias derivadas da vida permanente em grande altitude, com aplicação a todos os países da região dos Andes. As contribuições dos membros da rede foram decisivas para a elaboração dos novos regulamentos do Ministério da Saúde do Chile, que agora requer formação especializada em medicina de altitude para os profissionais de saúde em centros de trabalho, bem como um curso breve para os outros trabalhadores. Estudos realizados no seio da rede permitiram melhorar as condições de trabalho e funcionamento do radiotelescópio ALMA na planície de Chajnantor, no Chile (localizada a mais de 5000 m de altitude).
 
A integração de diversos grupos na rede ALTMEDFIS proporcionou uma abordagem multidisciplinar, permitindo aplicar e partilhar técnicas que não estão disponíveis em certos centros, mas sim noutros. O trabalho em rede refletiu-se num enriquecimento das relações científicas e numa clara melhoria na qualidade das publicações; considerando as 29 publicações conjuntas da PubMed no período de vigência da rede 2013-2016, torna-se evidente não apenas um aumento progressivo do número, mas também da posição no ranking das revistas em que se publicou. O livro "Vivir y trabajar en Altura" ("Viver e trabalhar em Altitude") pretende ser uma referência de consulta para aqueles que estiverem interessados neste tema.