Redes destacadas 2017 (BIODIMAR)


A degradação dos recursos marinhos e costeiros nos países ibero-americanos tem um impacto socioeconómico crescente, aumentando mais ainda devido aos eventos associados às alterações climáticas na região. Para alcançar um desenvolvimento sustentável, é necessário reduzir as vulnerabilidades promovendo a adaptação às alterações climáticas, especialmente nos países em desenvolvimento, onde o desafio é ainda maior do que nos países desenvolvidos. A rede CYTED BIODIVMAR contribuiu para a utilização sustentável dos recursos marinhos e costeiros, aprofundando vários dos temas essenciais à sua conservação. O seu trabalho inclui diferentes estratégias de abordagem à biodiversidade marinha através do estudo de ecossistemas, como recifes de coral, prados marinhos e manguezais.

Na BIODIVMAR, cada país utiliza métodos complementares para o estudo da biodiversidade marinha e costeira, incrementados através do trabalho em rede. Por exemplo, o México concentrou-se em determinar os indicadores para estudos de alterações climáticas; o Brasil nas invasões de espécies exóticas devido ao aumento da temperatura do mar; a Costa Rica na determinação do carbono nos manguezais; a Venezuela na geomática aplicada ao estudo de manguezais e ervas marinhas; Cuba na avaliação e monitorização de recifes de coral e outros ecossistemas protetores da faixa costeira; e a Espanha na conectividade entre habitats marinhos distantes das águas costeiras e continentais, partilhando experiências na implementação da sua estratégia marinha.

Os resultados obtidos foram incluídos e canalizados para uma série de recomendações no sentido de contribuir para a elaboração de medidas para a adaptação às alterações climáticas na região, facilitando a tomada de decisões e preparando o caminho para uma estratégia regional de conservação. Os resultados incluem: a implementação de um manual para alerta precoce do branqueamento de corais, que é um indicador de alteração climática; métodos para monitorizar espécies invasoras, como o peixe-leão; e métodos para o estudo de corais e foraminíferos em investigações paleoclimáticas. Entre as suas recomendações, a BIODIVMAR identificou o Mar das Caraíbas como uma área prioritária para a conservação de ecossistemas, espécies e rotas de ligação, o que constituiu o ponto de partida para uma nova rede CYTED focada no Mar das Caraíbas, que já foi aprovada. Igualmente, a BIODIVMAR facilitou o desenvolvimento de um sistema informático de gestão da biodiversidade marinha e costeira (www.biodivmar.oceanologia.sismomar.cu), como ferramenta para disponibilizar de forma rápida e dinâmica a informação gerada no âmbito da rede
 
A BIODIVMAR tem atuado mediante uma abordagem de colaboração e integração com as atividades de produção ligadas aos recursos marinhos. Em particular, Cuba, a Costa Rica, a Venezuela e o México – cujas atividades de turismo e pesca estão relacionadas com o estado de saúde dos recifes de coral, prados marinhos e manguezais – trabalharam nos seus países na proposta de medidas de exploração sustentável dos recursos marinhos e costeiros.
 
A rede tem sido muito bem-sucedida em termos das suas atividades de formação, que incluíram mais de 386 pessoas da região ibero-americana, desde especialistas, técnicos, professores, investigadores e estudantes, sem contar com pescadores e tomadores de decisão, além de pessoal de Áreas Protegidas, Empresas Florestais e de pesca, Institutos de Investigação, Empresas de Flora e Fauna, e Governos Locais.
 
A formação de recursos humanos e o reforço de competências em Ciências Marinhas tem sido um tema central abordado pela rede, permitindo o intercâmbio de planos de estudo entre os diferentes países e instituições participantes e a formulação de um acordo final junto do Comité Oceanográfico Nacional de Cuba para a criação de um Doutoramento em Ciências do Mar nesse país.
 
Nos seus 4 anos de funcionamento, a BIODIVMAR praticamente duplicou o número de membros, passando de 43 a 69, e recebeu o pedido de inclusão de quatro novos países: El Salvador, Honduras, Guatemala e Panamá. Todos foram incluídos e atualmente participam de uma nova rede CYTED direcionada para o estudo do Mar das Caraíbas.